
O amarelo está desbotando e as cinco estrelas não intimidam mais os adversários. O Brasil está ultrapassado. (FONTE: Internet)
Com o passar do tempo estruturas, táticas e tecnologias ultrapassadas sofrem um processo de reciclamento para adaptarem-se ao mundo que evoluiu ao redor enquanto elas tornavam-se obsoletas. No futebol, por exemplo, o Estádio do Maracanã passou por uma reestruturação para estar apto à Copa do Mundo de 2014 e, apesar do melhoramento, a sua essência permaneceu intacta. O mesmo procedimento precisa ser realizado com o futebol brasileiro, porém as fronteiras não devem ser limitadas ao esquema tático que será adotado quando a seleção brasileira entrar em campo pela próxima vez.
A CBF, entidade máxima do futebol nacional, sofreu comparações com a DFB (Federação Alemã de Futebol) após ser divulgada na internet uma informação que apontava um investimento de R$100.000.000 (cem milhões de reais) por parte dos alemães em infraestrutura para as categorias de base dos seus clubes enquanto a CBF não aplicou um centavo sequer nessa área. A instituição brasileira, inclusive, cresceu as receitas em 310% em apenas dez anos e transformou-se na maior entidade esportiva do país em termos financeiros.
Luiz Felipe Scolari concedeu uma entrevista coletiva após a derrota para a Alemanha na semifinal informando que o Brasil sofreu um apagão nos minutos que ocasionaram nos gols da mais nova tetracampeã do mundo e que o trabalho realizado por ele durante a sua segunda passagem no comando da seleção brasileira era satisfatório. Por um lado Felipão está certo, contudo o quarto lugar não reflete no futebol exibido pela equipe convocada pelo treinador. Embora uma colocação relativamente melhor tenha sido conquistada em relação às duas últimas edições da Copa do Mundo, o futebol brasileiro involuiu.
A República Federativa do Brasil é o quinto maior país do mundo em extensão territorial e conta com a quinta maior população do planeta. Devido ao amor incondicional pelo futebol e em decorrência de uma série de problemas sociais os jovens brasileiros procuram no esporte uma maneira de crescer na vida ou fugir do tráfico de drogas, porém o sonho de muitos é interrompido devido aos contratempos que são situados entre o desejo de atuar profissionalmente. Talentos são ignorados em abundância por não apresentarem um agente que possa gerir a carreira do atleta.
Nos últimos anos a Alemanha revelou: Marco Reus, Mats Hummels, Mesut Özil e Ron-Robert Zieler (25), Thomas Müller e Toni Kross (24), André Schürlle e Cristoph Kramer (23) e Matthias Ginter (20). O Brasil, por exemplo, foi convocado para a Copa do Mundo com apenas quatro jogadores com idade inferior a 25 anos, Bernard (21), Neymar e Oscar (22) e Willian (25), porém apenas dois atletas exerciam função ativa no elenco titular da equipe, o consagrado Neymar e a esperança Oscar (reserva do Chelsea).
Bernard foi revelado pela divisão de base do Atlético-MG em 2010 e no ano de 2013 foi vendido ao Shakhthar Donetsk-UCR, equipe protagonista na Ucrânia, porém coadjuvante nos campeonatos europeus. Oscar é cria do São Paulo, porém brilhou no futebol nacional vestindo a camiseta do Internacional. Em 2012 foi transferido ao Chelsea-ING e desde então venceu a Liga Europa da UEFA. Willian, por sua vez, é mais rodado no futebol europeu. Iniciou a carreira no Corinthians e embarcou para o Shakthar Donetsk-UCR, então foi comprado pelo Anzhi Makhachkala-RUS e em 2013 fechou negócio com o Chelsea-ING.
É provável que diversas esperanças sejam reveladas ao futebol profissional até a Copa do Mundo de 2018, porém também é possível que muitas estrelas sejam impossibilidades de brilhar por conta da burocracia e falta de investimento por parte das entidades que gerem os esportes no Brasil. Caso as coisas não mudem as próximas gerações terão como ídolo os atletas estrangeiros, afinal de contas durante a campanha de 2014 foi possível ver uma enorme dependência de um único atleta: Neymar. Quando o atacante não esteve em campo foi visível a carência de jogadores decisivos e apenas um nome destacou-se: David Luiz. O zagueiro, responsável por um dos momentos mais emocionantes da Copa das Confederações, esbanjou amor pela nação brasileira durante as vitórias e após as derrotas.
Atualmente o atleta precisa deixar o país para amadurecer profissionalmente. É preciso uma mudança que acarrete na valorização do futebol nacional e o torne em uma tendência aos outros países, porém, pelo menos por enquanto, o Brasil é o recanto ideal para os europeus tirarem grandes promessas por quantias inferiores ao real valor do jogador. Um exemplo claro disso é o zagueiro Marquinhos. O Corinthians recebeu R$8,2 milhões pela venda e apenas um ano depois o Paris Saint-Germain comprou o passe do paulista por €31,4 milhões.
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