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VALENTE, CICLÓN


A história mostra que, nos momentos negativos, a paixão é potencializada - especialmente no futebol. E, apesar de não tão dolorida, a derrota do Club Atlético San Lorenzo de Almagro frente ao Real Madrid em Marrakech potencializará, com certeza, mais ainda a já apaixonada hinchada do Ciclón. Afinal, estamos falando de um clube que perdeu, na década de 80, sua sede, seu bairro e sua participação na primeira divisão argentina, mas jamais perdeu o amor de sua torcida fanática - aliás, viu-o aumentar.


Indubitavelmente, o ano que se encerra em poucos dias foi um dos mais especiais da história do San Lorenzo, alguns dizem ter sido o melhor ano de sua história, pois o clube quebrou a SINA de ser o único dos 5 grandes da Argentina a não ter Libertadores da América, além de atender ao maior dos ANSEIOS da parcela nostálgica dos cuervos: a volta à Boedo, bairro de murga y carnaval. Mas o final com chave de diamantes não veio, o que, com certeza, não será motivo de tristeza para os fanáticos torcedores da equipe azul-grená.

O Real Madrid, campeão europeu, possui um dos melhores times do mundo. Possui um poderio financeiro que está anos-luz longe da realidade do Ciclón, mesmo nos sonhos mais MOLHADOS do presidente argentino (ns), e, portanto, não se deve haver comparações, pois elas sempre são injustas.

O jogo começou amarrado, truncado e bem picotado, justamente o que a equipe sul-americana deveria fazer (porque, além de ser LINDO de se ver, é o que se faz quando há uma clara diferença técnica entre as duas equipes), e a equipe espanhola teve dificuldades para desenvolver seu jogo. O primeiro lance do Real Madrid, porém, arrepiou até o último fio de cabelo do Papa no Vaticano (que, embora negue, assistiu AJOELHADO ao jogo na frente da TV, e quem não crê nisso é um HEREGE, amém). Ronaldo chuta cruzado e Benzema quase marca o primeiro tento europeu.

O campeão da Libertadores acertou a sua marcação e trocava passes com tranquilidade na defesa, embora tivesse muito menos posse de bola, e estava numa situação bem confortável. Porém, aconteceu o que não pode acontecer: Kalinski errou individualmente na defesa e lançou Benzema, que tocou para Bale chutar para a defesa de Torrico, até então apenas um personagem discreto, mas competente. No escanteio subsequente, Ramos marca de cabeça e joga um balde de água vindo da PATAGÔNIA nos argentinos. Depois disso, pouco aconteceu no primeiro tempo.

A expectativa para a segunda metade tomara Marrakech e, seguramente, Buenos Aires, mas logo que rolou a bola na relva marroquina, Sebástian Torrico engoliu um FRANGO do galês Bale, comprovando a tese de que aquele estádio tem algum problema com aves daquela espécie, já que o GALO de MG já havia tido seu APOCALIPSE no mesmo local. Certamente o River iria se dar mal também (ns).

Nos minutos restantes, a equipe de Madrid tirou o pé do acelerador e o San Lorenzo pôde trocar passes no ataque e até arriscar algumas finalizações de fora da área. Afora isso, nada mais. Real Madrid confirmou o favoritismo e venceu a peleja por dois tentos - mais uma vez, nenhum de Cristiano Ronaldo, que não ficava sem marcar gols em 2 jogos em sequência desde fevereiro.

O alento que fica para o San Lorenzo é que, ainda que haja uma distância colossal entre os dois elencos, o clube argentino soube se portar bem nas quatro linhas e ofereceu certa dificuldade aos espanhóis - que de Espanha pouco têm.

O Mundial de Clubes termina e, com ele, termina também a principal parcela da temporada sul-americana. A partir de agora, tudo é Libertadores da América - que promete ser uma das melhores dos últimos anos, seja em qualidade técnica, seja em camisetas de peso. Só nos resta aguardar.

Diestéfano Oliveira - entristecido, pero no mucho.

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