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MEMÓRIA OLÍMPICA #2 – O TIME DOS SONHOS


De tempos em tempos cada esporte produz seus gênios. Nos esportes coletivos, algumas vezes temos o privilégio de ver mais de um gênio na mesma equipe ou seleção. E os Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, foi palco do maior time que já quicou uma bola em quadras de basquete: A seleção americana, apelidada de Dream Team (Time dos sonhos). Provavelmente, não veremos nada parecido pelos próximos cem anos.

Até 1988 somente amadores poderiam participar dos jogos. As Olimpíadas de 1992 abriram as portas para os profissionais e os EUA decidiram mostrar ao mundo o que já se tinha uma ideia: A NBA era (e continua sendo) a nata do basquetebol mundial. E para isso ocorrer, precisavam que os melhores jogadores da NBA estivessem dispostos a disputar os Jogos, a começar pelo melhor jogador daquele momento (e um dos melhores, se não o melhor de todos os tempos), Michael Jordan.

No auge de sua carreira com a segunda conquista do campeonato da NBA, inicialmente Jordan não queria participar dos Jogos Olímpicos. Já tinha conquistado o ouro em Los Angeles-84 e por isso não tinha grandes “motivações” para ir para Barcelona, porém deu uma condição: Se os melhores jogadores fossem, ele iria também. Juntou-se então no time Larry Bird e Magic Jonhson, que dominaram o basquete nos anos 80 com confrontos memoráveis. Mesmo na fase final de suas carreiras profissionais, ainda eram extraordinários. Além dos dois, foram selecionados Karl Malone, Charles Barkley, David Robinson, Clyde Drexler , Chris Mullin, John Stockton, Patrick Ewing, Scottie Pippen e Christian Laettner, sendo esse último o único jogador universitário do elenco. Não precisa dizer que, com esses jogadores, Jordan topou na hora. No banco Chuck Daly, assistido por Mike Krzyzewski,Lenny Wilkens,P.J. Carlesimo.

Somente os nomes já explicam o motivo desse time ser chamado de Dream Team. Tirando Laettner, todos os jogadores tiveram carreiras brilhantes na NBA, estando entre os líderes de diversas estatísticas (pontos, rebotes, assistências, triple-double, etc) e fazendo parte do Hall da Fama da liga. Quem começou a acompanhar a NBA no final dos anos 80 para o começo dos anos 90 com certeza torce por um time que essas estrelas jogavam, caso desse que vos escreve que é torcedor do Chicago Bulls, justamente por causa de Michael Jordan.

Em quadra, não decepcionaram. Venceram todos os adversários por diferença mínima de 32 pontos. Não só venceram como deram show. Jordan e Johnson foram dois dos precursores do show-time que seria marca registrada da NBA e da seleção norte-americana, com grandes enterradas, assistências mirabolantes e ponte-aéreas incríveis, davam ao público um verdadeiro espetáculo. O desempenho era tão superior ao dos adversários que Chuck Daly não precisou pedir nenhum tempo em todas as partidas dos Jogos Olímpicos. 

A superioridade era tamanha que os adversários respeitavam e admiravam.  Em diversas entrevistas, Oscar Schmidt, ala brasileiro que enfrentou os americanos nas quartas de final do torneio, disse que era uma honra marcar e ser marcado por Larry Bird, seu ídolo dentro do esporte.

Quem pode acompanhar esses Jogos teve o privilégio de assistir uma equipe que talvez seja a melhor seleção de um esporte coletivo já formada, ao lado da seleção brasileira da Copa de  1970. Quem não teve esse privilégio, procure no Youtube os jogos dessa seleção. Qualquer apreciador do basquete vai se encantar com o que esse time fez nas quadras de Barcelona.

Campanha do Dream-Team
116 a 48 - Angola - primeira fase
103 a 70 - Croácia - primeira fase
111 a 68 - Alemanha - primeira fase
127 a 83 - Brasil - primeira fase
122 a 81 - Espanha - primeira fase
115 a 77 - Porto Rico - quartas-de-final
127 a 76 - Lituânia - semifinal
117 a 85 - Croácia - final



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