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MEMÓRIA OLÍMPICA #5: O NADADOR QUE NUNCA HAVIA ENTRADO EM UMA PISCINA


“Não pensem em competir, afinal, o importante é participar”. Essa deve ser a frase preferida dos professores de educação física nas escolas Brasil afora, principalmente para aqueles alunos que não possuem grande habilidade em determinada modalidade. O espírito olímpico tem como base esse lema, que a participação de todos é tão ou mais importante que as glórias para os medalhistas. E, seguindo essa linha, vamos recordar a história de Eric Moussambani nos jogos de Sidney, Austrália, em 2000.

Cada federação tem suas próprias regras para classificação para as Olimpíadas. Estamos acompanhando no momento a dificuldade que a seleção de basquete do Brasil tem tido para obter a vaga direta para os jogos do Rio-2016. A FINA, órgão que regulamenta os esportes de piscina, com o intuito de promover as modalidades em diversas nações, concedeu a Guiné Equatorial uma vaga para os jogos de Sidney, independente de índice olímpico. Ocorre que no país não havia sequer uma piscina olímpica.

Para aproveitar a chance de ser representado na Austrália, o Comitê Olímpico da Guiné Equatorial divulgou em programas de rádio que procurava por nadadores. Moussambani, que dava suas braçadas num rio em Malabo, resolveu arriscar. E foi o único candidato do país a vaga. Para provar que sabia nadar, fez um teste no único hotel que tinha piscina. Sem nunca adentrar a uma piscina olímpica, Eric rumava aos Jogos de Sidney.

Na primeira eliminatória dos 100 metros livre, uma raia foi colocada exclusivamente para os competidores que foram convidados. Ao lado de Eric, estavam Karim Bare e Farkhod Oripov. O apito nem havia soado e Karim e Farkhod caíram na água, queimando a largada. Eric, então, teve uma piscina olímpica a sua disposição pela primeira vez em sua vida para fazer história. Não, Eric não quebrou o recorde, nem se classificou para as fases seguintes. Não é uma história de conto de fadas. Mas nadou sozinho, no estilo que ficou conhecido como enguia, pela latente falta de habilidades no esporte, afinal há cerca de três meses não era nem sequer praticante da modalidade. 

O público se levantou e começou a aplaudi-lo a cada tentativa de braçada. Rodney Finizola, juiz brasileiro que acompanhava a prova na virada dos 50m, contou ao site GloboEsporte.com posteriormente que teve medo de ter que entrar na água para resgatar Moussambani. Não foi necessário. Em incríveis 1 minuto, 52 segundos e 72 centésimos Eric completava os 100 metros e colocava sua prova como uma das mais marcantes da história dos Jogos Olímpicos. Não recebeu medalha, mas com certeza teve mais aplausos que Pieter van den Hoogenband, medalhista de ouro na mesma prova com 47 segundos e 84 centésimos.

Passado os Jogos de Sidney, Eric começou a praticar o esporte de maneira mais profissional. Em 2004, cravou tempo de 57 segundos e iria para os jogos de Atenas se não tivesse o visto negado para a viagem. Atualmente, Moussambani trabalha em uma empresa de óleo da Guiné Equatorial. Mas, mesmo sem participar de uma segunda Olimpíada, seu nome e o vídeo de sua participação sempre serão lembrados como símbolo do espírito olímpico.

Confira as edições anteriores do Memória Olímpica:



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