Na última edição da nossa Memória Olímpica aqui no HTE Sports contamos a história de Eric Moussambani, nadador de Guiné Equatorial que nos Jogos de Sidney em 2000 entrou para a história das Olimpíadas por seu espírito olímpico. Todos, inclusive ele, sabiam que não havia chances de medalha. Nesses casos, é mais fácil pensar no tal do espírito olímpico. E quando a medalha é um objetivo real, alcançável? E quando essa medalha pode ser a dourada que todo atleta deseja? Essa história ocorreu com o brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima em Atenas-2004.
O Espírito Olímpico, ou Olimpismo, foi herdado da Grécia antiga, berço dos Jogos. A idéia consiste em utilizar o esporte como instrumento para a promoção da paz, da união, e do respeito por regras, e adversários. As diferenças culturais, étnicas e religiosas são de grande importância nesta forma de pensar baseada na combinação entre esporte, cultura e meio ambiente. A educação, a integração cultural e a busca pela excelência através do esporte são ideais a serem alcançados. O Olimpismo tem como princípios a amizade, a compreensão mútua, a igualdade, a solidariedade e o "fair play" (jogo limpo). Mais que uma filosofia esportiva, o Olimpismo é uma filosofia de vida.
E no berço dos Jogos, na prova mais nobre, a maratona, houve a prova maior desse espírito dada pelo brasileiro. Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a prova com boa folga e de maneira tranqüila. Poucos sabiam do esforço do maratonista fez para estar ali: Sete meses antes dos Jogos, ele sofreu um acidente de moto sete meses antes dos Jogos, quebrou a clavícula esquerda e por pouco não desistiu de viajar à Grécia.
Faltando perto de 7 dos 42km de prova, o ouro já estava praticamente certo para o paranaense. Foi aí que tudo desandou. Um empurrão do padre irlandês Cornelius Horan tirou o fundista do asfalto, do eixo e possivelmente do lugar mais alto do pódio. Vanderlei foi ajudado pelo torcedor grego Polyvios Kossivas, que retirou o padre de cima dele e o devolveu para a pista. A concentração, o ritmo da prova foi perdido e o paranaense foi ultrapassado por dois adversários. Recuperado do susto, voltou ao seu ritmo e entrou no estádio olímpico para a conquista do bronze. Gosto amargo de quem poderia estar no lugar mais alto do pódio, ouvindo seu hino nacional.
Após a competição, muito se falou sobre a abertura de um processo para a conquista do ouro na “marra”, como se diz no popular. Mas, como ficariam os adversários que nada tiveram a ver com a história, afinal, nem irlandeses como Cornellius eram? Vanderlei rejeitou todas essas iniciativas. Manteve a esportividade, o espírito olímpico. Foi limpo e compreendeu a situação. Em reconhecimento, ganhou a medalha Barão de Coubertain, pelo seu Olimpismo. Sabe que poderia ter alcançado a glória maior, o ouro dos jogos. Mas soube manter a esportividade.
Vanderlei é um exemplo de esportista a ser seguido. Soube entender o que ocorreu e não demonstra nenhum arrependimento. É o tipo de atleta que todos os esportistas deveriam se espelhar. O bronze foi no pódio. No espírito olímpico, Vanderlei levou o ouro.
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