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PAN DEMONSTRA QUE O BRASIL AINDA TEM MUITO QUE CRESCER NO ESPORTE OLÍMPICO

Equipe brasileira na apresentação dos uniformes do time para o Pan: Investimento vultuoso
 no ciclo Olímpico de 2012-2016 (foto:Roberto Stukert Filho/Presidência da República)

Encerrada a participação brasileira nos jogos Pan-Americanos de Toronto, a sensação de que o país poderia ter feito mais se mistura com o ótimo desempenho no quadro de medalhas, onde o Brasil assumiu a 3ª colocação geral, alcançando a meta estipulada pelo Comitê Olímpico Brasileiro antes da competição. Uma análise mais detalhada sobre a participação brasileira na competição continental nos faz ver que a projeção para as Olimpíadas do Rio no ano que vem é de um cenário complicado para a conquista de muitas medalhas.

Em Toronto, o Brasil conseguiu o mesmo número de medalhas conquistadas em Guadalajara em 2011, o que preocupa bastante, já que o COB tem recebido um grande repasse financeiro para o investimento em atletas de alto rendimento neste ciclo Olímpico (12-16). O Brasil recuou inclusive o número de ouros (48 para 41), mostrando que ainda há muito trabalho a ser feito. Entretanto, vale se destacar que muitas modalidades não levaram seus atletas principais (caso da maioria dos esportes coletivos, por exemplo), e muitos jovens foram apresentados ao ambiente de grande competição neste Pan, que serviu como uma espécie de Estágio para os Jogos do ano que vem.

(foto: Cbat/Divulgação)
Se por um lado, esportes que tinham pouco alcance e representatividade no país, como tênis de mesa, canoagem e levantamento de peso tiveram um desempenho até certo ponto inesperado, o atletismo (que abarca diversas modalidades) teve uma queda abissal no seu desempenho e preocupa para o Rio-16. O Atletismo é uma das principais bandeiras dos Jogos Olímpicos e sempre rendeu medalhas a delegação brasileira. O Pan de Toronto deve ter acendido o alerta para a Confederação Brasileira de Atletismo e o COB para o que pode ser feito com menos de um ano de distância para as Olimpíadas.

(Foto: Reuters)
É sempre importante relativizar a participação brasileira no Pan. Muitas vezes os espectadores não tem a noção que os países mais fortes não levam seus principais atletas, pelo mesmo motivo que alguns brasileiros não participaram da edição deste ano. A disputa acaba ficando desvalorizada e algumas provas não podem ser termômetros (para o bem ou para o mal) sobre o que esperar nas Olimpíadas. O ano que antecede os Jogos é composto de fortes treinamentos e muitas vezes os atletas ainda estão buscando a classificação para disputa do maior evento esportivo do mundo. Como o Pan disponibiliza poucas possibilidades de garantir a vaga Olímpica, os atletas de ponta acabam preterindo a competição em detrimento a outras oportunidades.

Fabiana Murer foi prata no salto com vara, mas disputou a competição contra as melhores atletas do planeta (foto: Jum Watson/AFP)

Acredito que a participação do Brasil em Toronto foi regular. Mesmo enviando uma equipe jovem, o time poderia ter buscado algumas outras medalhas e pelo menos ter repetido o número de ouros conquistados há quatro anos em Guadalajara. Apesar do alarme ter sido ligado para a disputa em casa em 2016, a experiência dada para os atletas jovens pode ser de fundamental importância para um bom desempenho no ano que vem, já que um dos principais problemas dos atletas brasileiros em Londres, apontados por boa parte da imprensa especializada, foi a parte psicológica, que muitas vezes fez com que os atletas sentissem a pressão e não conseguissem dado o seu melhor. Em resumo: melhorou, mas ainda tem muito o que melhorar.


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