Por Marquinhos Souza
Aracati-CE
Nenhuma outra edição do campeonato brasileiro dividiu tantos
sentimentos em um são-paulino como a de 2015. Renúncia de presidente, escândalos na diretoria. Em campo, ataque irregular, um
meio sem criatividade, uma zaga insegura, e um goleiro. Após a palavra goleiro, é impossÃvel não parar e refletir.
Isso porque, talvez o maior sÃmbolo de um clube, nessa posição, esteja se aposentando.
Rogério é isso. SÃmbolo.
A cara de um São
Paulo que viveu épocas gloriosas, conquistou tÃtulos, evoluiu em estrutura,
adotou o apelido de “Soberano” e o usou com a propriedade de quem chegou ao
topo do mundo três vezes.
Você pode até não gostar de Rogério Ceni, mas é impossÃvel
não o admirar.
Não tanto pelo histórico, frases pontuais ou cobranças de
falta históricas - mais de cem gols, inclusive - mas porque conquistou tudo isso com profissionalismo. E assim
o fez até o último dia de sua carreira. Treinando intensamente, se dedicando ao
máximo e, apesar dos tÃtulos, muitos por sinal, a vontade de um menino, mais
precisamente aqueles, em inÃcio de carreira.
E isso o marcou.
Marcou também porque, em um futebol moderno de propostas
tentadoras e negociações milionárias, Ceni se apaixonou por um clube e o amou
até o final, em um casamento que, atualmente, pouco se vê.
Poderão vir outros na posição, novas defesas, mas o que fica
é a recordação de um atleta dedicado em campo, apaixonado pelo clube, campeão e
que chegou ao patamar de “M1TO”.
Não por coincidência.
E de forma definitiva, Rogério sai dos gramados para
entrar nos livros, recordes e história do futebol mundial. O eterno “camisa 01”
deixa de ser citado nas escalações dos próximos jogos, mas passa a ser tema de
gloriosas histórias.
Para a ansiedade e frustração de quem não o viu jogar.
Para a alegria de quem teve essa sorte.

0 Comentários