Doze anos como atleta profissional de MMA garantiu ao gaúcho Fabrício Werdum um livro repleto de histórias para contar sobre a sua passagem dentro das artes marciais mistas. O gigante de 1,93m de 37 anos já garantiu medalhas de ouro, prata e bronze nos campeonatos pan-americano e mundial de jiu-jitsu e na ADCC (Abu Dhabi Combat Club) – um dos eventos de submission mais prestigiados do mundo, porém foi com o joelho que Werdum conquistou o maior feito da sua carreira: O cinturão do UFC.
Nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1977, Fabrício Werdum esteve em contato com lutadores históricos, tais como Mirko Filipovic, mundialmente conhecido como Cro Crop, e Fedor Emelianenko. Emelianenko, inclusive, sofreu o primeiro revés após dez anos invictos para o brasileiro – Strikeforce: Fedor vs. Verdum em 2010. Um minuto de luta foi o necessário para o brasileiro mostrar ao russo a sua qualidade no solo. Um triângulo com chave de braço pôs fim ao reinado de Fedor.
Emelianenko fora apenas um dos vinte e cinco episódios de Werdum. Vai Cavalo, alcunha do atual campeão interino da categoria peso pesado do UFC, honra o hino nacional brasileiro, afinal de contas nunca fugiu à luta ou escolheu oponente – mesmo quando o gaúcho era considerado o Davi. Os gigantes nunca foram páreos para o praticante de jiu-jitsu, judô e muay thai. Minotauro, outro personagem importante da história de Werdum, venceu em 2006 um confronto válido pelo PRIDE por decisão unânime, mas o reencontro entre os atletas, que acabou com uma chave de braço aplicada por Fabrício, provou que nenhuma lenda é capaz de impedi-lo de realizar o seu maior sonho.
Jungle Fight, PRIDE, UFC e Strikeforce tiveram a oportunidade de contar com a presença de Fabrício Werdum, contudo o veterano brasileiro nunca conseguiu conquistar um cinturão. O Ultimate Fighting Championship chegou a dispensá-lo após uma derrota para Junior dos Santos. Muitos atletas tendem a se desmotivar quando algo parecido acontece – para eles é o mesmo que ser dispensado de uma empresa –, porém Werdum apenas se agigantou diante da possibilidade de provar o seu valor. Uma passagem de dois anos pelo Strikeforce com 4 vitórias e 1 derrota garantiu ao gaúcho a chance de retornar ao maior evento de MMA do mundo. Em 2012, Roy Nelson e Mike Russow sentiram a garra de Werdum e foram derrotas. Rodrigo Nogueira, o Minotauro, foi novamente colocado no caminho do “Vai Cavalo”, mas nem mesmo uma criatura mitológica foi capaz de impedir o progresso de Fabrício. Ainda contestado, Werdum precisou provar o seu valor diante do gigante Travis Browne. O norteamericano teve 25 minutos para provar o seu valor, mas Werdum se agigantou diante de Golias e garantiu o direito de lutar pelo cinturão.
De Davi para Golias, Werdum se vira como uma montanha diante do neozelandês Mark Hunt, porém esteve cercado pela sabedoria, afinal de contas soube que nem sempre as probabilidades refletem a verdade. Hunt, embora miúdo e com um porte físico inferior, conquistou um feito jamais atingido por outro lutador: Nocauteou Roy Nelson. A pesadíssima mão de Mark Hunt deveria ser temida e respeitada... E foi. Werdum, que sentiu a força de um soco desferido pelo Super Samoano, aproveitou as oportunidades para garantir o cinturão e aplicou uma joelhada voadora quando o oponente acreditou que o brasileiro buscaria as suas pernas para levar a luta para o chão.
Werdum, que sempre esteve com um sorriso estampado no rosto, respeitou o adversário, assim como fez desde o início da sua carreira. Cain Velásquez, que assistiu ao confronto, também fora respeitado pelo brasileiro que, aproveitou a oportunidade para conquistar o público presente e pedir que a luta contra o campeão seja realizada no México ou no Brasil.
O peso de cinco derrotas e um empate foi apagado pelas dezenove vitórias, porém, sem dúvida, a última, realizada em 15 de novembro de 2014, será a mais lembrada por Werdum durante muito tempo. O cinturão, que ontem pousou na sua cintura, é apenas a recompensa de muito esforço, garra e motivação, porém é apenas mais um passo dado pelo lutador. Com os pés no chão e a cabeça no lugar, muitos outros passos serão dados... O próximo, talvez, contra Cain Velásquez. Novamente, Werdum voltará ao posto de Davi, mas, para quem já provou o seu valor para o mundo, o que é outra batalha?
Parabéns Werdum! Estamos contigo!
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