Algumas semanas atrás comentamos aqui no HTE Sports sobre a nova longevidade dos QBs, principalmente após a "popularização" dos QBs mais atléticos, ocorrida à partir de 2004 na seleção de Michael Vick pelos Falcons. Embora já existissem QBs desse estilo antes de Vick, é fato que na última década tem sido mais comum vermos jogadores desse tipo espalhado pela NFL. Nessa temporada, por exemplo, Russel Wilson, James Winston, Cam Newton, Marcus Mariota e Teddy Bridgewater são alguns dos exemplos de QBs desse estilo que iniciarão a temporada em busca do emblemático SuperBowl 50. Um nome está fazendo falta nessa lista: RG III. De acordo com a NBC norte-americana, Griffin não será o titular na abertura da temporada dos Redskins, posto que deve ser ocupado por Kirk Cousins.
Em 2012, o Redskins "vendeu a alma" para o SL Rams pela segunda escolha geral do draft, que contava com dois dos mais promissores QBs dos últimos tempos: Andrew Luck e RG III. Como todas as previsões indicavam, Luck foi para os Colts enquanto RG III chegou para dar novos rumos a equipe da capital dos Estados Unidos. E teve uma primeira temporada fantástica. Com 20 TDs e apenas 5 interceptações, além de 815 jardas corridas (com 7 TDs), foi nomeado o novato ofensivo do ano. Nesse ponto, muita gente com quem eu conversava sobre a NFL dizia que os Redskins haviam passado a perna nos Colts e que RG III era muito melhor que Andrew Luck.
Até que veio o fatídico duelo no Wild Card Round contra Seattle Seahawks. Jogo em que praticamente selou o futuro de RG III na NFL. Em um sack sofrido, Griffin lesionou os ligamentos do joelho. Como dizia o saudoso doutor Osmar de Oliveira, ex-comentarista esportivo principalmente da TV Bandeirantes, depois de uma operação de joelho ele nunca volta a ser como era antes. Ou volta melhor ou pior. Parece que foi o caso de RG III. Na segunda temporada, voltando da recuperação da lesão, já vimos um jogador muito mais "preso", sem a mobilidade que o caracterizava para fugir das blitz e resolver com as pernas. Na temporada passada, foram apenas 9 jogos, com 4 TDs e 6 interceptações. Números e desempenhos tão fracos que lhe custaram a titularidade.
É importante lembrar que o QB é o jogador mais protegido da liga, com diversas regras que impedem jogadas mais duras sobre ele. Porém, quando o QB sai do pocket para resolver com as pernas, ele é um corredor comum, e se expõe mais a lesões. Como sabemos, a vida útil de um RB é relativamente curta na NFL. Na faixa dos 29, 30 anos já são considerados veteranos, não sendo mais as principais armas terrestres de uma equipe. QBs atléticos como RG III sofrem com isso também, e sua promissora carreira pode ter sido encurtada por conta disso. Nas duas últimas temporadas, seus números foram bem mais modestos e ainda conviveu com problemas com seus treinadores.
Não sendo titular na semana 1, RG III sai de um grupo de QBs que poderia transformá-lo em um milionário (basta vermos as renovações de contratos de Ryan Tannehill e Russel Wilson, selecionados no mesmo draft de Griffin) e passa a virar uma moeda de troca encarada como uma aposta ou simplesmente backup QB. Uma pena, pois mostrou em seu ano de novato as qualidades que poderiam o fazer um dos maiores nomes da posição nessa década. Quem lamenta profundamente também, não pela escolha em si, mas pelo azar de uma contusão desse porte encerrar um projeto que tinha tudo para ser brilhante é a diretoria dos Redskins. Espero que RG III possa ter uma história parecida com a de Drew Brees, que por conta de uma séria contusão no ombro foi dado como acabado, mas renasceu para a liga em New Orleans, levantando um SuperBowl e conquistando diversos recordes. Difícil imaginar esse cenário agora para Griffin, mas a história está aí para nos provar que é possível.


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